A Samsung oficializou seus planos para dominar um novo mercado: o de óculos inteligentes. Em uma entrevista recente à CNBC, o vice-presidente de negócios da empresa, Jay Kim, confirmou que o aguardado vestível chegará ao mercado ainda em 2026 e virá equipado com uma câmera. Mas o grande diferencial, segundo o executivo, está na inteligência: o processamento das informações captadas será feito diretamente nos smartphones, e não nos óculos.
A declaração coloca a gigante sul-coreana na rota de colisão direta com a Meta, dona do popular Ray-Ban Meta, que atualmente domina mais de 80% do mercado global de óculos com câmera integrada.
Uma câmera “ao nível do olho” e o cérebro no bolso
De acordo com Jay Kim, os novos óculos contarão com um sensor posicionado “ao nível do olho”, uma abordagem semelhante à da concorrência para permitir a captura natural de fotos e vídeos em primeira pessoa. A grande novidade da Samsung, no entanto, é a estratégia de processamento.
Diferente de dispositivos totalmente independentes, o gadget da Samsung dependerá da conexão com um smartphone para processar os dados capturados pela câmera. A lógica é simples: os óculos funcionam como os “olhos” e o celular como o “cérebro” da operação. Embora a empresa não tenha detalhado o funcionamento técnico, a expectativa é que a integração sem fio seja feita de forma otimizada, possivelmente com exclusividade ou melhor desempenho em aparelhos da própria linha Galaxy — algo comum no ecossistema da marca.
Especificações técnicas e o que já sabemos
Ainda que a Samsung mantenha segredo sobre o design final, vazamentos e especulações do mercado já pintam um retrato do que esperar do hardware:
- Processador: Possível uso do chip Qualcomm AR1, desenvolvido especialmente para óculos inteligentes.
- Câmera: Um sensor de 12 MP para captura de imagens e gravação de vídeos.
- Bateria: Uma unidade compacta de 155 mAh, suficiente para o uso como periférico, já que o processamento pesado fica por conta do celular.
Vale lembrar que a Samsung já possui um pé no segmento de realidade estendida com o Galaxy XR, um dispositivo de realidade mista focado em imersão e com forte apelo de inteligência artificial. Os novos óculos, por outro lado, têm uma proposta mais casual e cotidiana, funcionando como um acessório de moda tecnológico para o dia a dia.
O alvo é o reinado da Meta
Com o mercado de óculos inteligentes ainda em formação, mas já dominado pela parceria da Meta com a Ray-Ban, a entrada da Samsung promete aquecer a concorrência. O modelo da Meta já popularizou funções como gravação em mãos livres, chamadas de vídeo e integração com assistentes.
A aposta da Samsung em transferir o processamento para o smartphone pode trazer vantagens significativas, como:
- Maior autonomia de bateria nos óculos, já que o chip mais potente e exigente está no celular.
- Atualizações de desempenho sem depender de novo hardware no rosto, apenas de melhorias no app ou no smartphone conectado.
- Potencial integração com o Gemini, a inteligência artificial generativa do Google, parceira da Samsung, que poderia interpretar o mundo à sua frente e fornecer informações em tempo real.
O que ainda não sabemos (e as possíveis limitações)
A estratégia da Samsung, embora inteligente, levanta algumas questões que só serão respondidas com o lançamento:
- Dependência do ecossistema: O recurso funcionará apenas com celulares Galaxy? Isso pode limitar o público.
- Latência: A conexão sem fio será rápida o suficiente para uma experiência fluida de realidade aumentada e assistência por IA?
- Privacidade: Com câmeras sempre “ao nível do olho”, a Samsung precisará deixar muito claras as políticas de privacidade e os indicadores de gravação, especialmente após investigações sobre o uso indevido de imagens em modelos concorrentes.
Lançamento e expectativas
Considerando o histórico de lançamentos da Samsung, a janela mais provável para a chegada dos óculos é entre setembro e novembro de 2026. O produto deve ser um dos protagonistas da companhia no segundo semestre, tentando repetir o sucesso que a Meta teve ao transformar um acessório de moda em um dispositivo tecnológico desejado.
A briga promete ser boa: de um lado, a Meta com sua vantagem de mercado e integração com suas redes sociais; do outro, a Samsung com seu poderoso ecossistema de hardware e parceria com o Google para IA.
